4 de nov de 2011

Reciprocidade...


Ao som de: Someone like you - Adele



"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade melhor de cuidar de mim, de ser melhor pra mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar: de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. SER NOVO! Caio Fernando
 Porque no momento há pensamentos afins! Paz e luz pra vc!

Só Caio me descreve...

8 de out de 2011

E nada mais ...



Barulho de chaves chocalhando, duas voltas, porta aberta.  Cortina vinho- veludo, cama, carpete. Parede com uma linda pintura. Uma pequena geladeira com restos de licores, morangos e poeira nas taças.
Estatueta do sutra ‘laço de amor’ no criado esquerdo e atmosfera exalando excitação sem compromisso.
Já com lágrimas vindo da garganta, sentou no chão.
Gemidos, sussurros, gritos, prazer, foi o que a lembrança insistia em  atormentar sua mente.
Os olhos serrados, o rosto sentindo o frio que a ausência jogava em teu abraço.
Deitou.
No teto não mais o espelho testemunha.
Insetos, vazio e música antes de felicidade, vindo daquela TV sem imagem. E mais angustia e travesseiro apertado sem palavras e calor.
Horas inteiras sentindo a dor de uma ferida invisível, quase que letal. Antes isso fosse o que mais doía, mas a consciência atirava em si seu erro, justamente o que o fez  viver assim, sem sua metade.
Já não adiantava perdões, humilhações. O que fez só pela carne o fazia pagar um preço alto demais. É estranho o poder de destruição que poucas horas podem  causar em uma eternidade que durou dois anos de felicidade rasgada por, como diz o autor, algo que se resume em 11 minutos, ou seria segundos?
Almofadas com ácaros, acompanhava cada corte do seu coração.
Afogado em  prantos,  o sono vem. No espelho olhar quase fechado e nariz vermelho e com sobras do que inalou enfileirado, se inebriando com a falsa alegria que o ajudava a carregar sua culpa.
Em meio a sonhos e delírios aquela imagem. Corpo cheio de curvas, cabelos negros, sorriso perfeito e meu Deus! Sentia novamente aquele perfume,  e aquela saliva com gosto de chocolate, e aquela pela suave de pêssego-jambo, aquele seios firmes na sua boca, e aquele líquido doce do seu intimo... E o calor. Aquele calor molhado... E amor, que explodia em seu peito chegando ao ápice... E... E... Aquilo tudo de uma vez... E aquele...  Aquilo...  Aquele... Aquele... VAZIO... Aquele NADA... E aquelas lágrimas escorrendo face e descendo na laringe. E aquele entorpecer, e aquela realidade... E a sua tão grande culpa... E o sono e a dor... E os ácaros, a taça empoeirada, os morangos, os licores, o ‘laço de amor’ e o carpete e mais poeira da cortinha vinho-veludo. E o abrir da porta e o nada mais!



4 de out de 2011

Por hoje


E começa assim:
“Beijos ternos, de um amor por ora eterno...”   

Como relutei  pra sentir, muito mais pra dizer, como se palavras fossem tão certas e significantes. Bem, pra mim, até que sim. Mas viver é a melhor maneira de sentir. 


Então eu quero amores inventados, intensos, que me façam surpreender comigo mesma. 


Emoções fortes (positivas), mesmo que só por hoje eu pense assim. Talvez isso faça parte da felicidade que eu (re)invento a cada dia, pra não lembrar tristezas passadas. 

Quero gostinho de água de coco pra imaginar o mar que eternamente admiro e que tenho saudade.
Quero cama quente, mas, por favor,  não me deseje bom dia. Nem me ofereça flores,  que eu digo que te amo com ar de sarcasmo,  mas com fundo de verdade-inventada.
Quero sol que queime a pele, bebida que embriague, música que entorpeça.  Embora saiba que não adianta falar de textos, filmes, mas esses devaneios são só por hoje mesmo, porque me encantei com o exagero que nunca vivi, o excesso  que me fazia tremer. E como é bom isso, às vezes-sempre. 

Quero viver intensamente... só por hoje!

1 de set de 2011

...


E hoje me dei conta do quanto sou abençoada.  Estou cercada de pessoas maravilhosas, que me amam e me aceita simplesmente por eu ser eu mesma. Acordo todas as manhãs e sou testemunha de um céu tão azul que me faz sentir vontade de cantar. Então por isso agradeço. Agradeço por está cercada de amigos que se tornaram a família que eu escolhi pra mim. Por rirem de mim nas minhas fúrias de TPM. Por segurarem na minha mão e dividir a minha dor em um abraço,  por me fazerem forte pra ajudá-los, por serem pessoas perfeitamente defeituosas assim como eu, que mesmo com milhões de erros sabe o momento de reconhecer.
 

 Obrigada, pelo sol que nasce e que se vai, mostrando todo dia que mais um ciclo chega ao fim pra começar um novo. Obrigada pela brisa, pela lua maravilhosa que vem e me deixa deslumbrada.

Hoje eu percebo que eu preciso pisar em cacos pra poder valorizar a terra batida. Preciso perder pra saber o que me é valioso. E obrigada! Obrigada por me fazer ver o quanto agradecer ainda é muito pouco, mas que já é um começo. E obrigada por me fazer voltar a sonhar, mesmo depois de tantas noites mal dormidas. 


“Obrigada Deus, obrigada Deus. Obrigada Deus!”  (Francinicis) 


E aos que insistem em dizer que não temos amigos verdadeiros, eu digo: eu tenho! E já está mais do que provado que estarão comigo a qualquer momento. Que nos amamos, nos respeitamos, nos fazemos bem, nos ferimos, perdoamos, nos afastamos e tudo continua intransponível. Me esforço pra ser pelo menos um pouco pra vocês, do que vocês representam em minha vida. 
Amo todos!



Beijo no coração. 


aos meus: Mel, Raxinha, Pata, Gil, Flôr, Lígia e Vívia, Branca, Branquinha, Asterísco, Jonh, Agna, Lákida, Tiazinha, Ciana, Izéa, Normandy, Nego, Eli, Glecy, Lorinha, Titia Deide, We, Joana, Chell, Zi, Zizi, Taize e mais e mais...
a de vcs: Binha, amiga, Fabinha, Bimbinha, Heleofábia, Nega, Flôr, Irmã de coração, Abinha, Anja-gêmia, Biribibinha...

30 de ago de 2011

Sobre saudade e gratidão


Quis  voltar o tempo e pará-lo. Apreciar cada momento bom que estava ao seu lado. Mas queria diferente, queria que fosse como aquelas cenas de filmes que a gente se vê.  Porque eu queria admirar os momentos que você me fez feliz e que eu o fiz feliz. Porque as lembranças  são muito pouco, um dia elas se vão.
Queria nos ver tocando nossos lábios pela primeira vez, vê a emoção do meu rosto,  o pulsar do meu coração através da blusa, a forma como você fechava os olhos e o vento da noite que se transformava em madrugada. Ver seu rosto surpreso quanto toquei  as costas das suas mãos com meus lábios e meu rosto corar quando disse que queria dormir comigo. 
Como expectadora, queria voltar a primeira vez que sua mão tocou em meus seios. Ver a admiração do seu rosto quando viu pela primeira vez os meus mamilos rosados e pequenos. E a minha cara de prazer quando sua língua os tocara.  Presenciar a grandeza que foi os nossos corpos se tocarem nus em meio a prazer e timidez. Te ver tomando banho que não fosse dessa vez, pela sombra onde admirei cada centímetro do seu corpo másculo.
Estar conosco em cada loucura, observando o quanto éramos felizes, o quanto nos fazíamos bem. Rir os nossos risos, sentir saudade na despedida e felicidade na chegada.
Não é que não demos certo, nós demos sim! E foi pra mim, tudo perfeito e sentir saudade dessa felicidade às vezes me faz chorar. E sinto vontade de arrancar das minhas lembranças todos os momentos que estivemos juntos e felizes e revivê-los. Porque ao seu lado eu pude conhecer o significado do que é felicidade.
Obrigada!

Ao som de:Só Agora (Pitty) Pq assim q me sinto.

18 de ago de 2011

Sobre egoismo



É que às vezes não precisa ser certo, nem pra sempre, nem definitivo... Às vezes eu só quero mesmo que SEJA.   (Elenita Rodrigues)
Pq esse texto, parece meu.
Texto completo e original Aqui

17 de ago de 2011

Silenciar


Preciso silenciar pra saber o que eu sinto agora, pra saber o que fazer, como agir. Pra me entender, pra respirar sem travas, pra saber qual a cor de um sorriso novamente, pra saber se ainda sei sorrir como antes, e se não, reaprender como se faz.
Preciso silenciar, porque nem tudo é agora como foi um dia. Porque as emoções infelizmente (ou felizmente) são mutáveis, diferenciam-se e confundi.
Preciso silenciar  pra poder ouvir meus pensamentos, pra chorar, pra ouvir minha própria voz. Pra tentar sentir o que já não sei se sinto, e tentar buscar, talvez inutilmente, o que já se foi, mas  que eu preciso tentar reascender.
Preciso calar pra encontrar culpados, pra saber o que aconteceu. Pra ver no espelho o meu próprio reflexo, mesmo que não seja o mesmo.
Preciso calar, pra ficar comigo mesma, pra sentir meus próprios toques, minha própria opinião.
Preciso calar, pra aprender a curar meus soluços, porque ninguém mesmo além de mim, sabe o tamanho do que sinto. Preciso calar, pra viver intensamente como  fiz um dia.
E você, você precisa entender o meu silencio, aceitar e ver que preciso disso, porque ser feliz não é somente falar, mas  ficar introspectiva, meditar, buscar outro mundo dentro mim, e viver!


10 de ago de 2011

Seguir



Quando cruzou a ponte, olhou pra trás. O que trilhou, estava ali.
Sua estrada mostrava lindas bromélias, mas também grandes declives.
Não importava, era outra pessoa. Aprendera a cruzar o fogo e ressurgir como a fênix.
À sua frente, em forma de pôr do sol, estava o futuro. O horizonte se mostrava laranja intenso com azul suave e reticências. E à medida que o sol tocava a base do longe, tudo ficava mais vermelho, cor que vem a cabeça quando se pensa em ódio e paixão, mas que naquele momento, era só uma cor que aos poucos fazia contraste com a noite que avançava.
Diante do espetáculo natural, resolveu definitivamente, levar daquela estrada alia atrás, lembranças e gratidão, por que entenderá naquele momento, que tudo valia apena. Cada erro que cometera por ansiedade, cada buraco que caia por imaturidade, pelas vezes que se desviou do caminho certo por inocência. Por ter acreditado nas pessoas erradas, que nem sabiam, mas eram as certas. Por ter brincado quando devia seguir, por ter parado quando devia pensar, por não ter escutado nem conselhos, nem socorros.
Entendera que cada gota e cada queimadura do sol aumentavam centímetros no seu crescimento.
Agora ali, percebera que as mágoas se foram. Que não precisava, nem podia depositar a sua vida em mãos alheias. Percebera que é muito bom ter a sim mesma e aprendera a perdoar os espinhos que a feriu, por que a fizeram ir mais além. Compreendeu o porque dos seus pés calejados, que serviram pra protegê-la de novas dores, mas  jamais pôde impedi-la de seguir.

5 de ago de 2011

Complemento

Você veio junto com o meu negar, mostrar o doce sabor, o qual já há muito não queria mais em mim.
Renasceu a vida junto com o seu sorriso que fez o meu palpitar *descompassante e *envergonhante, gritar o seu nome através dos meus olhos, do meu sorriso de criança feliz na simplicidade de um tocar de lábios, que nos fez misturar cor, cheiro, sentimentos, recíprocas...
 E no amanhecer daquela noite, o vento nos entrelaçava como uma música em nossos ouvidos que nos perpetuou: eu, metade você, Você meu complemento.
Ao negar-te, escondia-me bobamente, como um mergulho no oceano salgado que extingue o respirar e maltrata o ver.
Emergi!
Relutar, já não me cabia, sendo que estava totalmente inebriada com o teu eu indescritível.

E o sim me veio como necessidade.
Vi o sol como sangue, o ar palpável, as flores, cor de alegria.
O sorriso encantador e prateado da lua no imenso negro, lembrava o incalculável da minha alma.
A magnitude de tua essência não me permite ver mais o feio.
E nos lábios o sorriso não me falta.
O existir que em outrora refletia sem sentido mínimo, me fez querer cem a mais.
E o exagero opcional, refleti o quão maravilhosamente me encontro. O tolo não aceitar de antes que me fazia doer uma dor camuflada em falsa felicidade, esse faço questão que não mais exista.
No paralelo, observo o fechar dos teus olhos, o aquecer de sua pele. Me sinto gigante no seu abraço e te vejo pequeno ao meu querer.
Nas rebuscadas explicações encontro o permitir, meu, seu, nosso! E nas promessas de não prometer a clareza da lealdade, nos fortalece.
Nossas metades, agora um todo, torna-se, como o aumentar do nascer do dia, mais cúmplices.
Bela como sua presença é como vejo a vida. Porque o brilho dos teus olhos negros, enfeitam o meu viver.
Palavras expressam sua presença em mim, embora intensas, corresponde ao que vivo agora, que ao seu lado é milhões de vezes mais colorido.
Quero estar assim, cada dia mais, mesmo que o amanhã já não nos pertença.
Quero você em mim, porque agora estás meu, tanto quanto eu, sua!  


*descompassante e *envergonhante: Palavras não existentes. Linguagem da autora, poeticas.

PS: Dias de felicidade proporcionados por uma pessoa incrível, que faço questão de nunca esquecer: Você: Otton!!  Obrigada por tudo!! Nossa música

4 de ago de 2011

Perpétuo

Já não é sua pele que necessito tocar.
Seus beijos pra mim, já não tem o mesmo sabor.
Quem sabe, seja eu a culpada...
Dispus-me pra ti com o fervor que o sentimento me intensificava, cada dia além.
Despi minha alma de todo medo.
Só deixei!
Puramente!
Mas o valor que você me atribuiu, foi o mesmo do que o que foi jogado fora, descartável, sem préstimo...
Ainda assim, lutei!
Te queria, era o meu único significado.
Mas sua incapacidade de perdoar condenou o que de lindo tinha em nós.
Conseguiu por muitas vezes o que tanto queria: me machucar.
Mas não sabia que sua lança nada mais foi do que uma espada e feriu nós dois, com suas duas faces.
Você até bebeu meu sangue na sua taça dourada, sem perceber que dentro, havia o seu. Que como veneno, estava misturado ao meu. Por isso o amargo!
Hoje o efeito foi inesperado:
Enquanto você consumia o meu sangue, arrancava de dentro de mim o que ainda restava de você, fazendo com que eu me curasse, porém, fez com que você me perpetuasse dentro de ti. 

*** Texto escrito há 2 anos atrás.
E com um porque, que  provavelmente quase ninguém (ou ninguem além de mim) vai entender. Mas essa musica tem a ver com o passado da história (que é verídica) do texto.

29 de jul de 2011

Devaneios e Traições

Em meio a poeira e o vazio, encontrou o nada cheio de dores lembranças, choros contidos, risadas não dadas. Cama de travesseiros encharcados e claro da TV como companhia para noites sem calor, sem cafuné.  Madrugadas frias e amanhecer sem Bom dia.
Espelho, cansaço, olhar perdido, rosto desvanecido e sombras do que foi os belos lindos fios enrolado cor de ferrugem que contornavam uma notória face.
Enfrentar que agora aquilo era o que lhe restava de ti, da tua casa, da tua vida. Saber que amar, daquela forma linda, como fingia pra si, custara tudo que dormiu pra sonhar durante anos. Hoje já nem precisa dormir, por que já tem sonhos pré-prontos. Também especulações e interrogações.
Construir todo um mundo perfeito entre lençóis de vários, onde haja pé no chão, cabeças nas nuvens, cabeça pra baixo, corpos quentes, prazeres intensos, imenso, inúmeros, custa felicidades de um lar quente, limpo e habitado, onde há excesso de brigas, lágrimas que não rolam mais por ter caído muito. Amizades e hipocrisias construídas, ao se tratar de costumes e sociedade. Onde há sexo e ausência (dele).
Seios não mais firmes, mas nunca amamentados, trazem lembranças e cheiro de colo da mãe que jaz em outro lugar. E saudade do que não está e do que nunca esteve.
E com a única certeza de não ser a única outra, mas com a esperança de um futuro diferente é o que enche de alegria os seus pulmões e a conduz até um futuro tal e qual o passado.
Por que há coisas que simplesmente (definitivamente) não mudam só.


PS: História talvez não reconhecida, mas verídica.

Inspirações...

                            "Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer  coisa. Não altera em nada...    Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."


                                                                                                                                                        Clarice Lispector


 

Dias me sinto envolta por uma membrana chamada pensamento.
Leve, me faz flutuar.
Me transporta por lugares chamados tempo, por milhares de cores todas brancas.
Em outros, estão meu corpo, me fazendo sentir seu coração.
Invadem meus olhos com suas emoções, vezes positivas, outras negras como querem que eu sinta sua alma.
Ouço as palavras com os olhos que estão em minha mente.
Com sentidos destorcidos.
Grito com as mãos!
Tenho medo!
E se não for o certo?
A compreensão às vezes não passa do meu raciocínio.
Outras vezes se torna ridícula, subitamente em vão.
Leve, se faz pesada.
Seus impulsos são maiores do que meu conter.
E sai...
Quase sempre sem explicação... Sai!
O por que?
Desaparece!
Talvez nem haja algum...
Quem sabe não precise de um?!
Como agora que me carrega por pântanos azuis. Por céus laranja como pintas pretas.
Os outros?
 Não o são!
Em muitos há só um de mim.
Mas, meu reflexo se transforma em vários.
Assim como meus pensamentos têm muitas vozes, dizendo todas a mesma coisa, com vários significados. Que cabe não só a mim decifrar. 

PS: Esse texto mostra a forma como me sinto na criação de alguns textos.

Presa (sobre dor)

Ela gritava... Desesperada.
Só havia escuridão por dentro e por fora
Sua mente só sabia o que acontecia agora.
Confusa, olhava pra todas as direções.
Longe havia um ponto antes comum.
Aquela caverna escura, suja, embora parecesse familiar, era como se nunca a tivesse visto. Mas, inexplicavelmente, sentia-se confortável.
Somente seu eco respondia a suas incansáveis perguntas. Além de seu subconsciente.
Horas estava sufocando.
Não havia mais como respirar.
Tudo era tão pesado, denso e sem explicação.
Como companhia só o seu reflexo e ali, ao longe, algo que não mais reconhecia.
Entregou-se totalmente ao escuro.
Agora nem só seus cabelos longos eram negros, ou seus pequenos olhos, mas a sua alma tinha a mesma cor, simplesmente transparecia seu coração.
Embora quisesse gritar mais alto, inútil!
Ninguém mais a ouvia além daquela solidão que te fazia companhia.
Buscava todo tipo de força, dentro de si, mas nada de mover um único músculo, provavelmente teria que reaprender. Talvez fosse por isso que ninguém a escutava, por sua voz já não ter a mesma força e compreensão.
Ofegante, as lágrimas vieram aos olhos, a fim de aliviar o que tinha na garganta.
E ao deslizar por sua face e chegar a sua boca, ela sentiu o amargo.
Lembranças vieram à tona. E o amargo ficou vermelho.
Agora compreendendo, reuniu mais uma vez, todas as suas forças. E o amargo como sangue em sua boca, era o pulsar do seu coração descompassado misturado com ódio que a fez, num súbito minuto do máximo do que sentia, se levantar em um salto.
Sua respiração ainda mais falha, ia em busca do ponto conhecido.
Uma luz. Bem longe! Encheu de esperança os instantes que tinha.
Conseguindo quase que magicamente correr em busca do seu objetivo.       
Correu!
Deparou-se com seu momentâneo tão sonhado objetivo.
Parou! Olhou novamente para todas as direções.
Acompanhada do vazio de sua vida, de sua alma!
Jogou-se!!!
Cinco metros abaixo, o verde era vermelho.
O límpido refletia o azul só na queda, se coloria ao tocar o solo.
Enfim...
Estava ela por todo canto. Não mais presa.
Livre!
E pela primeira-ultima vez, voou.

28 de jul de 2011

A NOITE



O resto do vinho, agora quente, me consola, junto com as sobras das cinzas do fogo na lareira, que fazia as paredes de testemunhas da tamanha chama que brotava de nós dois.
Me arder no seu fogo, me sentir no seu vulcão, essas foram as lembranças que me restaram de um passado recente que deixou entranhado em tudo que é meu, tudo que é você.  Exceto o que deveras mais havia de importância: tua presença que não seja em forma de ausência.
Embolado, amassado e no chão, está metade de mim, junto com o lençol que guarda seu gosto, e os sonhos que traçamos inebriados por tamanho prazer, se arrastam junto com os insetos que pousam no que restou do nosso ápice.
Sopra o vento vindo do findar da noite...
Sobra a luz que vem do sol mostrando que não mais estás.
O seu ir, deixou-me lembranças, solidão, frio, angustia... Saudade!