8 de out de 2011

E nada mais ...



Barulho de chaves chocalhando, duas voltas, porta aberta.  Cortina vinho- veludo, cama, carpete. Parede com uma linda pintura. Uma pequena geladeira com restos de licores, morangos e poeira nas taças.
Estatueta do sutra ‘laço de amor’ no criado esquerdo e atmosfera exalando excitação sem compromisso.
Já com lágrimas vindo da garganta, sentou no chão.
Gemidos, sussurros, gritos, prazer, foi o que a lembrança insistia em  atormentar sua mente.
Os olhos serrados, o rosto sentindo o frio que a ausência jogava em teu abraço.
Deitou.
No teto não mais o espelho testemunha.
Insetos, vazio e música antes de felicidade, vindo daquela TV sem imagem. E mais angustia e travesseiro apertado sem palavras e calor.
Horas inteiras sentindo a dor de uma ferida invisível, quase que letal. Antes isso fosse o que mais doía, mas a consciência atirava em si seu erro, justamente o que o fez  viver assim, sem sua metade.
Já não adiantava perdões, humilhações. O que fez só pela carne o fazia pagar um preço alto demais. É estranho o poder de destruição que poucas horas podem  causar em uma eternidade que durou dois anos de felicidade rasgada por, como diz o autor, algo que se resume em 11 minutos, ou seria segundos?
Almofadas com ácaros, acompanhava cada corte do seu coração.
Afogado em  prantos,  o sono vem. No espelho olhar quase fechado e nariz vermelho e com sobras do que inalou enfileirado, se inebriando com a falsa alegria que o ajudava a carregar sua culpa.
Em meio a sonhos e delírios aquela imagem. Corpo cheio de curvas, cabelos negros, sorriso perfeito e meu Deus! Sentia novamente aquele perfume,  e aquela saliva com gosto de chocolate, e aquela pela suave de pêssego-jambo, aquele seios firmes na sua boca, e aquele líquido doce do seu intimo... E o calor. Aquele calor molhado... E amor, que explodia em seu peito chegando ao ápice... E... E... Aquilo tudo de uma vez... E aquele...  Aquilo...  Aquele... Aquele... VAZIO... Aquele NADA... E aquelas lágrimas escorrendo face e descendo na laringe. E aquele entorpecer, e aquela realidade... E a sua tão grande culpa... E o sono e a dor... E os ácaros, a taça empoeirada, os morangos, os licores, o ‘laço de amor’ e o carpete e mais poeira da cortinha vinho-veludo. E o abrir da porta e o nada mais!



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