29 de jul de 2011

Presa (sobre dor)

Ela gritava... Desesperada.
Só havia escuridão por dentro e por fora
Sua mente só sabia o que acontecia agora.
Confusa, olhava pra todas as direções.
Longe havia um ponto antes comum.
Aquela caverna escura, suja, embora parecesse familiar, era como se nunca a tivesse visto. Mas, inexplicavelmente, sentia-se confortável.
Somente seu eco respondia a suas incansáveis perguntas. Além de seu subconsciente.
Horas estava sufocando.
Não havia mais como respirar.
Tudo era tão pesado, denso e sem explicação.
Como companhia só o seu reflexo e ali, ao longe, algo que não mais reconhecia.
Entregou-se totalmente ao escuro.
Agora nem só seus cabelos longos eram negros, ou seus pequenos olhos, mas a sua alma tinha a mesma cor, simplesmente transparecia seu coração.
Embora quisesse gritar mais alto, inútil!
Ninguém mais a ouvia além daquela solidão que te fazia companhia.
Buscava todo tipo de força, dentro de si, mas nada de mover um único músculo, provavelmente teria que reaprender. Talvez fosse por isso que ninguém a escutava, por sua voz já não ter a mesma força e compreensão.
Ofegante, as lágrimas vieram aos olhos, a fim de aliviar o que tinha na garganta.
E ao deslizar por sua face e chegar a sua boca, ela sentiu o amargo.
Lembranças vieram à tona. E o amargo ficou vermelho.
Agora compreendendo, reuniu mais uma vez, todas as suas forças. E o amargo como sangue em sua boca, era o pulsar do seu coração descompassado misturado com ódio que a fez, num súbito minuto do máximo do que sentia, se levantar em um salto.
Sua respiração ainda mais falha, ia em busca do ponto conhecido.
Uma luz. Bem longe! Encheu de esperança os instantes que tinha.
Conseguindo quase que magicamente correr em busca do seu objetivo.       
Correu!
Deparou-se com seu momentâneo tão sonhado objetivo.
Parou! Olhou novamente para todas as direções.
Acompanhada do vazio de sua vida, de sua alma!
Jogou-se!!!
Cinco metros abaixo, o verde era vermelho.
O límpido refletia o azul só na queda, se coloria ao tocar o solo.
Enfim...
Estava ela por todo canto. Não mais presa.
Livre!
E pela primeira-ultima vez, voou.

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