28 de jul de 2011

A NOITE



O resto do vinho, agora quente, me consola, junto com as sobras das cinzas do fogo na lareira, que fazia as paredes de testemunhas da tamanha chama que brotava de nós dois.
Me arder no seu fogo, me sentir no seu vulcão, essas foram as lembranças que me restaram de um passado recente que deixou entranhado em tudo que é meu, tudo que é você.  Exceto o que deveras mais havia de importância: tua presença que não seja em forma de ausência.
Embolado, amassado e no chão, está metade de mim, junto com o lençol que guarda seu gosto, e os sonhos que traçamos inebriados por tamanho prazer, se arrastam junto com os insetos que pousam no que restou do nosso ápice.
Sopra o vento vindo do findar da noite...
Sobra a luz que vem do sol mostrando que não mais estás.
O seu ir, deixou-me lembranças, solidão, frio, angustia... Saudade!
  

Um comentário:

  1. Lindas e sábias palavras !!!! amei amiga!!! Parabéns pelo talento.

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