29 de jul de 2011

Devaneios e Traições

Em meio a poeira e o vazio, encontrou o nada cheio de dores lembranças, choros contidos, risadas não dadas. Cama de travesseiros encharcados e claro da TV como companhia para noites sem calor, sem cafuné.  Madrugadas frias e amanhecer sem Bom dia.
Espelho, cansaço, olhar perdido, rosto desvanecido e sombras do que foi os belos lindos fios enrolado cor de ferrugem que contornavam uma notória face.
Enfrentar que agora aquilo era o que lhe restava de ti, da tua casa, da tua vida. Saber que amar, daquela forma linda, como fingia pra si, custara tudo que dormiu pra sonhar durante anos. Hoje já nem precisa dormir, por que já tem sonhos pré-prontos. Também especulações e interrogações.
Construir todo um mundo perfeito entre lençóis de vários, onde haja pé no chão, cabeças nas nuvens, cabeça pra baixo, corpos quentes, prazeres intensos, imenso, inúmeros, custa felicidades de um lar quente, limpo e habitado, onde há excesso de brigas, lágrimas que não rolam mais por ter caído muito. Amizades e hipocrisias construídas, ao se tratar de costumes e sociedade. Onde há sexo e ausência (dele).
Seios não mais firmes, mas nunca amamentados, trazem lembranças e cheiro de colo da mãe que jaz em outro lugar. E saudade do que não está e do que nunca esteve.
E com a única certeza de não ser a única outra, mas com a esperança de um futuro diferente é o que enche de alegria os seus pulmões e a conduz até um futuro tal e qual o passado.
Por que há coisas que simplesmente (definitivamente) não mudam só.


PS: História talvez não reconhecida, mas verídica.

Inspirações...

                            "Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer  coisa. Não altera em nada...    Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."


                                                                                                                                                        Clarice Lispector


 

Dias me sinto envolta por uma membrana chamada pensamento.
Leve, me faz flutuar.
Me transporta por lugares chamados tempo, por milhares de cores todas brancas.
Em outros, estão meu corpo, me fazendo sentir seu coração.
Invadem meus olhos com suas emoções, vezes positivas, outras negras como querem que eu sinta sua alma.
Ouço as palavras com os olhos que estão em minha mente.
Com sentidos destorcidos.
Grito com as mãos!
Tenho medo!
E se não for o certo?
A compreensão às vezes não passa do meu raciocínio.
Outras vezes se torna ridícula, subitamente em vão.
Leve, se faz pesada.
Seus impulsos são maiores do que meu conter.
E sai...
Quase sempre sem explicação... Sai!
O por que?
Desaparece!
Talvez nem haja algum...
Quem sabe não precise de um?!
Como agora que me carrega por pântanos azuis. Por céus laranja como pintas pretas.
Os outros?
 Não o são!
Em muitos há só um de mim.
Mas, meu reflexo se transforma em vários.
Assim como meus pensamentos têm muitas vozes, dizendo todas a mesma coisa, com vários significados. Que cabe não só a mim decifrar. 

PS: Esse texto mostra a forma como me sinto na criação de alguns textos.

Presa (sobre dor)

Ela gritava... Desesperada.
Só havia escuridão por dentro e por fora
Sua mente só sabia o que acontecia agora.
Confusa, olhava pra todas as direções.
Longe havia um ponto antes comum.
Aquela caverna escura, suja, embora parecesse familiar, era como se nunca a tivesse visto. Mas, inexplicavelmente, sentia-se confortável.
Somente seu eco respondia a suas incansáveis perguntas. Além de seu subconsciente.
Horas estava sufocando.
Não havia mais como respirar.
Tudo era tão pesado, denso e sem explicação.
Como companhia só o seu reflexo e ali, ao longe, algo que não mais reconhecia.
Entregou-se totalmente ao escuro.
Agora nem só seus cabelos longos eram negros, ou seus pequenos olhos, mas a sua alma tinha a mesma cor, simplesmente transparecia seu coração.
Embora quisesse gritar mais alto, inútil!
Ninguém mais a ouvia além daquela solidão que te fazia companhia.
Buscava todo tipo de força, dentro de si, mas nada de mover um único músculo, provavelmente teria que reaprender. Talvez fosse por isso que ninguém a escutava, por sua voz já não ter a mesma força e compreensão.
Ofegante, as lágrimas vieram aos olhos, a fim de aliviar o que tinha na garganta.
E ao deslizar por sua face e chegar a sua boca, ela sentiu o amargo.
Lembranças vieram à tona. E o amargo ficou vermelho.
Agora compreendendo, reuniu mais uma vez, todas as suas forças. E o amargo como sangue em sua boca, era o pulsar do seu coração descompassado misturado com ódio que a fez, num súbito minuto do máximo do que sentia, se levantar em um salto.
Sua respiração ainda mais falha, ia em busca do ponto conhecido.
Uma luz. Bem longe! Encheu de esperança os instantes que tinha.
Conseguindo quase que magicamente correr em busca do seu objetivo.       
Correu!
Deparou-se com seu momentâneo tão sonhado objetivo.
Parou! Olhou novamente para todas as direções.
Acompanhada do vazio de sua vida, de sua alma!
Jogou-se!!!
Cinco metros abaixo, o verde era vermelho.
O límpido refletia o azul só na queda, se coloria ao tocar o solo.
Enfim...
Estava ela por todo canto. Não mais presa.
Livre!
E pela primeira-ultima vez, voou.

28 de jul de 2011

A NOITE



O resto do vinho, agora quente, me consola, junto com as sobras das cinzas do fogo na lareira, que fazia as paredes de testemunhas da tamanha chama que brotava de nós dois.
Me arder no seu fogo, me sentir no seu vulcão, essas foram as lembranças que me restaram de um passado recente que deixou entranhado em tudo que é meu, tudo que é você.  Exceto o que deveras mais havia de importância: tua presença que não seja em forma de ausência.
Embolado, amassado e no chão, está metade de mim, junto com o lençol que guarda seu gosto, e os sonhos que traçamos inebriados por tamanho prazer, se arrastam junto com os insetos que pousam no que restou do nosso ápice.
Sopra o vento vindo do findar da noite...
Sobra a luz que vem do sol mostrando que não mais estás.
O seu ir, deixou-me lembranças, solidão, frio, angustia... Saudade!